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Sua barba se enlaça com a minha

maisaltoquebombas:

   Meus dedos grossos caminham sobre seu peito, como se tentassem tapar cada buraco eminente de uma queda pela nossa linha tênue. Sua barba, encostada com a minha, se entrelaçam entre a pele áspera do nosso rosto, você segura minha mão, e como um eclipse, nossos olhos se encontram dentro do escuro, tentando fitar os esboços embaçados no meio da noite. Você queria me levar pra marte, mas eu fiquei em mercúrio; fiz um pouso na lua, e você voltou pra me buscar.

   Você arrasta a mão sobre a minha face, minha pele é grossa, mas você diz que a prefere assim, não se importa se a barba arranha ou incomoda (também não me incomodo quando a sua arranha), então você aponta para cima, como se o céu estivesse no nosso telhado, mostrando o cruzeiro do sul, dizendo que é aquela direção que devemos ir, mas não sabemos aonde vai dar; mas somos loucos para quase tudo, até para morar em saturno e roubar os seus anéis.

   Fomos o encaixe perfeito dos anéis de saturno. Você em cima de mim, minhas mãos na sua cintura; um acentuando o outro. Dois astros em pleno eclipse. Eu passo a mão sobre os seus cabelos negros e você me doma pelo pescoço; as luzes nos domam, os objetos nos acoplam, como se estivéssemos vivendo apenas para o êxtase em doses maneiradas. Então você fecha os olhos e inclina a cabeça para cima, e nos cantos dos lábios vão se desbotando, criando curvas no rosto, acentuando as linhas enquanto meus olhos o fitam, tocando cada parte tão íntima que ainda não podemos usufruir.

   Então eu o acompanho pela nossa melodia; fecho os olhos e consigo sentir cada singularidade nossa; tocando na nossa linha tênue chegando as nossas insanidades. Estou escutando a sua respiração; entrei como um intruso em um universo de um desconhecido e você me poupou, segurou minha mão e me levou para longe de tudo que era caótico; mas sou parte do caos, só que você não tinha medo, mas deveria, já desmoronei grandes reinos por onde passei, mas você me reconstruiu, mas ainda tenho medo quando nosso chão fica em alto e baixo relevo.

   E então você rasteja a mão pelo meu rosto desmoronando os meus devaneios; e a sua barba, junto a minha, se entrelaçando no meio da madrugada. Encolho-me sobre seus braços, você encosta sua cabeça na minha; viramos lua cheia sem ao menos percebermos, e agora as estrelas nos rodeavam. Não temos motivos para ter medo, você sempre me diz. Então você me ensinou a decorar as noites com os meus dedos tortos, com os toques de uma melodia que não conhecia.

Mais Alto Que Bombas

O capitão sempre afunda com seu navio

maisaltoquebombas:

Nesse veleiro sem fim,
sigo meu rumo a maestria.

Perseguindo as maresias,
sonhando com as sereias,
sendo soprado pelo vento,
ganhando o mundo sem fim.

Passo pelos sete mares,
me guiando pelo cruzeiro do sul,
conquistando o triangulo das bermudas
"Terra à vista"; gritos ouvirei.

Nesses mares de palavras,
desenho peixes voadores,
águas coloridas,
e o canto das sereias a me hipnotizar 
ecoando nas cavernas sem fim,
os tesouros hei de encontrar,
diamantes a brilhar,
com os olhos dela a sonhar

E com essa viagem eu sigo com o meu lemo,
me afogando em rima,
ate a poesia me sufocar.

Oh, captain! My captain!
Todos saudarão a morte do poeta dos mares.

Mais Alto Que Bombas

"Por mais que o dia acabe, ainda estarei sentado no sofá da sala, com um livro na mão e o abajur do lado do sofá aceso esperando para que possa ver deslumbrante sua chegada pela porta da frente. E quando não existir mais nada em casa para que possa me usufruir, pegarei uma folha e escreverei. Sim, retorno a fala, eu escreverei para não sentir-me sozinho, escreverei para poder sentir o gozo de seu ser e tomar ousadia em escrever do cristal e riste que são os seus olhos. Escreverei tomando um copo de cerveja como os românticos da era da literatura romancista. Lhe escreverei com maestria tomando a textura que sentira em seu cabelos enquanto desfruto de uma boa musica tocando na rádio. E se caso um dia não tiver nenhum livro para ocupar o tempo vago da vida, escreverei por mais que doa a saudade…"
Pedro Igor Fernandes

(Source: abzzurd, via abzzurd)

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Para quem ainda não sabe, o “Ao Meu Contradizer” é o meu novo espaço para textos, e quem tiver facebook e caso queira curtir para acompanhar as postagens está ai, eu ficaria bastante contente se fizessem isso, compartilhassem a página ou o blog com seus amigos. Bem, é isso aí!

(Source: abzzurd)